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LÁGRIMAS E SONHOS

Introdução
 

Não intento a vontade de compor a poesia

Quisera escrever uma única lírica ditosa

Que eternizasse a alegria e a dor aliviasse

 

 

Sonhos

 

Vou te contar o meu sonho, de todo singular a outras noites

Mas não ouses julgar aquilo que não compreendes

Se não entendes em teu peito a dor que deveras sentes.

Pois estes são os teus planos: delírios de minhas noites insones.

 

 

Mãos Indignas

 

Algo me tocou, eu não era assim

A mancha cresce cada dia mais

Me ferem e as feridas me deixam sujo

Foi o que restou, a sujeira e a dor

 

Acreditar é melhor do que estar vazio

Mas não era assim, algo se perdeu

Algo ficou para trás, algo importante

E agora, sozinho, é a hora que sinto

 

Começamos do nada e puros

Somente a nobreza de um sentimento

Até certa noite em que me perdi

Quando algo me tocou e não sei o que

 

Grandes sonhos ficaram no caminho

Abri mão de mim mesmo sem saber

Meu sorriso nunca mais foi sincero

E algo se aproveitando me tocou.


 

  Quando as Luzes se Apagam

 

De tudo que sinto me afligem dúvidas

Algo aqui arde e nenhuma resposta

Vejo que pouco sei sobre mim mesmo

Talvez nada e, a noite, isso não é bom

 

No escuro sequer vejo meu rosto

Sou obrigado a sentir a maldade

Porque o lado negro é sempre o mais forte

E dele resulta o nosso poder

 

Mas, temeroso, se esconde nas sombras

E nos cantos mais obscuros da mente

Se não for controlado vem a tona

Trazendo tudo que temos de ruim

 

E mesmo assim é parte do que somos

Temos que aceitá-la, nos aceitarmos

Ao apagarem-se as luzes, você sobra

Se não se sentir bem, não sobra nada. 


 

    Soneto de Morte

 

Eu sempre quis ver a morte de perto

Talvez para conhecer seu rosto

Mas não gostei em nada do que vi

 

Pude ver mais que a vítima do mal

Sofrer a maldição a ela imposta

Pagar pelo erro que não cometera

 

Fugi de seus braços, de seu mundo

Temi a única constante na vida

E guardei comigo o que presenciei

 

Que a morte é mais do que o fim dos sonhos

É quando anoitece e as luzes se apagam 

Flores se fecham e as pessoas choram.


 

    Caminhos do Mal

 

Toda humildade me escravizara

Queria ser livre, meu querer em vão

E a liberdade distante demais

Eu fugi, vendo mais do que devia

 

Foi o fim de tudo que julgava belo

Presenciei a destruição de mundos

Vi o medo, enfrentei minha ruína

Muito chorei, antes de cair em desgraça

 

Foram momentos difíceis aqueles

E os anjos me trouxeram de volta

Ao sangue e lágrimas que surgem do nada

Malditos que só me fizeram mal

 

As coisas foram assim para mim  

Fora o fim do mundo que eu conhecera

A felicidade, não posso vê-la

Eu acordei cego, nada valeu a pena

 

Selvagem vaguei só na escuridão

Sons e odores se confundem, não entendo

Consegui resistir, mas estou longe

Longe de onde deveria estar.


 

  Arcanjos Celestes

 

Antes era o céu, lembro com saudade

Os anjos estavam comigo

Simples e puro de coração

Brincávamos enquanto sonhávamos

Com um futuro que julgava bom

 

E os anjos sonhavam comigo

Mostravam 7um mundo de possibilidades

Podia ser grande e belo também

Ansioso, aguardei, tempo demais

Tempo que perdi

 

Contemplei o mundo

A vida que sempre se fazia mais forte

A sagrada inocência dos sonhos

Toda a beleza do que éramos, do que tínhamos

E os anjos me fizeram sorrir

 

Mas não éramos só isso

Descobri coisas que estavam escondidas

Sentimentos guardados que nutrimos

Tudo que somos, que nos manteve vivos

E os anjos me mostraram a verdade

 

Verdade revelada que se tornou pecado

Meu minh`alma maculada, eles partiram

É sempre fácil enganar, é fácil fugir

'Mas não consegui, fiquei só

E os anjos me deixaram chorando.


 

  Lágrimas na Noite

 

A noite avançava no meio da mata 

E lágrimas rompiam o silêncio.

Eram homens fortes que sentiam medo,

Homens que sentiam saudade.

 

Há um pouco de coragem nos que partem.

Há um pouco de fraqueza nos que ficam,

Talvez por não terem algo em que acreditar,

Talvez por quererem acreditar em algo.

 

Pude ver sonhos nos olhos dos que chegavam

No olhar, um brilho que já houvera

Não era com isso que sonhávamos

Mas era com isso que estávamos sonhando.


 

    Meios Ilícitos

 

Eu menti 

E fugi  

 

Eu enganei 

E manipulei

 

Eu  chantageei 

E ameacei

 

Tudo para tentar chegar 

E não cheguei


 

    Completamente Insano

 

Olhos nos olhos, pensamentos são revelados

Segredos mais íntimos, pecados

Tento evitar, motivos, sei que não tem

Por que resistir ao que nos convém?

 

Mãos, um leve toque, pouco, muito pouco

Uma brava ânsia de sentir seu corpo

Entendo sua alma ardendo por mim

E nos entregamos a um desejo sem fim.

 

Calmo mapeio o naturalmente sedutor

E o natural nos domina num louco furor

Não há mais espaços e nada nos separa

Acaba-se a mentira e a farsa também acaba.

 

Cresce o fogo que queima nessa luta alucinante

Permitimos um ao outro como infiéis amantes

Agora é mais que braços e pernas, é na pele o suor

Nisso nos atemos, para sermos um só.

 

Olhos nos olhos e não vejo mais nada

O instinto nos venceu e a razão foi derrotada

Em minha boca só restou o gosto da tua com saudade

Das palavras que não foram ditas por maldade.

 

 

  Caminhos Sem Volta

 

Pergunto-me o que é desejar a morte

Vejo o castigo e exijo a punição

Mesmo prisioneiro se que os carrascos

Choram por mim quando choram por eles.

 

Vã é minha resistência, como antes

Não é hoje, mas com certeza um dia

E as noites não me deixam esquecer,

Elas tentam me lembrar da fraqueza

 

O brilho é mais intenso e me domina

As sombras oferecem redenção

Pois eu já conheço o que há sobre a luz

E não sou eu quem toma as decisões.

 

É o tudo sem sentido, desgraça

Não querer ir, mas era lá que estava

Era a porta errada e sabendo abrir

No fundo, querendo não conseguir.

 

No êxtase supremo sinto o pecado

Poder ir além do que se é, subir

Saber que deus não é tão poderoso

Ter o poder para tocá-lo e cair.

 

É em um mesmo instante o céu e o inferno

É saber onde se guardam os sonhos 

E esquecer, Ter os poderes do mal

E servir-se deles para vencer.

 

É ser vitorioso e querer perder

Querer perder por não saber jogar

Então, sozinho, esqueço o caminho

Mesmo sabendo que irei me lembrar.


 

  Ulceras

 

Arde-me as entranhas em agonia

Qual meu crime e que anjo me castiga

Sem o pesar do ventre e sua ferida

Da boca que expelindo sangue grita

 

Ao mal, como castigo a dor não basta

É preciso mais, destruir o sonho

Maldizer a alma, odiar o corpo

Tudo perder-se, não restar-me nada

 

Mire a pena de um punhal de prata

Que abre o ventre que atravessa contraído

Indiferente as vísceras que rasga

 

Quanto ao fim, não importa a que rezava

Visto os pecados, desde já expiados

Posto que o sonho, desde já perdido.


 

   Duas Faces de Um Mesmo Lado

 

Quando a espada tem dois gumes 

E as pessoas possuem duas faces

Nasce a desconfiança entre homens desarmados

 

É difícil crer que o rosto seja pintado

Mas o flanco sangrando não nega a traição

E a perda é maior que a dor, a mágoa maior que o perdão

 

Como a faca corta seu portador?

Como fere quem nela confia?

Despreza um companheiro, machuca um amigo?

 

Acima de qualquer suspeita ficou a traição

Agora estamos preparados e, desconfiados,

Deixamos as portas trancadas.


 

  Pós-nupciais 

 

Talvez eu seja chamado a declarar

O que ouvi sobre um altar em certa noite:

Jovens fazerem um juramento para toda a vida

Com promessas que não foram capazes de cumprir

 

Eles usaram belas palavras para selar uma aliança

Mas indiferente aquele amor, em mim a dúvida

Por diante do sacerdote testemunhar suas juras

Que um dia serão usadas contra eles mesmos

 

Pois o tempo torna pálido o sentimento,

Arruina um lar onde se perdem gestos de carinho

E quando esse dia chegar eu serei convocado

Para testemunhar tudo que presenciei no passado

 

Hoje interrogado eu direi a verdade:

Que eles juraram perante Deus e mentiram

E nesse momento uma criança e suas lágrimas solitárias

Talvez sejam as únicas coisas que me venham a cabeça

 

Entenda um casal que caminha pelas ruas

Sem saber porque eles não se deram as mãos

Talvez tenham se esquecido do juramento

E será que eles serão punidos por isso?


 

  Pelo Que Nos Pagam 

 

Quem são estes que adentram o impenetrável?

Do que lhes valerá estas madrugadas?

Eles terão oportunidade de escrever seus nomes?

 

Quem mantém acessas as luzes da cidade?

Por toda a noite velamos seu sono

E ao acordarem, alguém se lembrará de nós?

 

A respeito daquele que partiram

Deixando entre nós aquilo que tinham de melhor

Lhes restará saber que seu sacrifício foi em vão?

 

Trabalhos e planos, sonhos que sonhamos

E tudo quanto mais fizemos, nos valerá?

Ou eles ainda ousarão dizer que não somos nada?

 

O que é isso que temos? Por quem o fazemos?

Mas findada a dúvida, ao tocarem-se os sinos da fábricas

Retornando ao lar, talvez a verdade nos seja revelada.


 

  Quando os Grandes Jogam

 

É de peões que esta precisando o jogo

E de homens que saibam jogá-lo

E de homens que possam vencê-lo

 

Foram estas as opções que nos deram

Vencer neste jogo sujo é tudo que se quer

E assim valorizamos coisas sem valor algum.

 

O sucesso hoje é deturpado, é mesquinho

Não é mais algo que nos faz crescer

Não há mais uma história a se contar

 

Ao tentarmos ousar éramos punidos

Punidos por tentarmos ser nós mesmos

E estão punindo nossas crianças agora

 

Não haviam muitas opções, mas isso mudará

Há um caminho traçado para os jovens

E há um caminho que eles podem traçar.


 

 Os Declarantes da Verdade 

 

Os declarantes da verdade mentem

E permitem que a hipocrisia prepondere

Fazendo questão de deturpar a verdade

Desmerecendo toda fé que lhes foi depositada

 

Todo poder e ouro os corromperam

Por em tudo se submeterem aos desejos

De perniciosos facínoras poderosos

E do tolo brilho da ganância

 

O seu interesse vil distorce a verdade

E assim lançam os fatos com impacto

Ou qualquer mal é atenuado por estas mãos

Onde não há mentira que não prevaleça

 

Toda veracidade hoje é suspeita

Como o caráter de heróis forjados

Heróis que representam uma nação

E que escondem sua verdadeira face

 

Eles manipulam a massa de ignorantes

E fazem de cultos letrados, incrédulos

Caluniam justos, enaltecem corruptos

Valendo-se da omissão em todos os seus atos

 

Há uma conspiração onde não existem inocentes

Da grande devassa ninguém sairá ileso

Imponha-se a nova ordem para que todos saibam

Que os declarantes da verdade mentem


 

  As Cores da Bandeira

 

Ousamos pintar o céu de outrora

Sem saber o que havia sobre a terra

Damos às armas o primor da aurora

E muito poder em uma mão que erra

 

Dezoito velas caídas junto ao mar

Onde a boa luta o ébano travou

O seu querer: da dor irmãos poupar

Heróis que mesmo o tempo não matou

 

São homens que não falarão jamais

Rubros erros de um velho que ainda erra

E hoje armado espera a morte em paz

Mas ainda sonha os seus sonhos de guerra

 

A alguns interessa que o rio pare

Quem tem poder para parar o rio

Os que pintaram tintas sem caráter

No pendão que rege desprezo ao filho

 

E quando o ouro der ao homem mais que anseia

E os bons, por revolta, derem as mãos 

Que cores terão nossas bandeiras?

Que cores nossas bandeiras terão?


 

  Acaso Meu Nome Fosse Zeus

 

Acaso meu nome fosse Zeus

Talvez nada fosse como é

Viveríamos entre os bons

E seríamos um deles

 

Poderia ensinar e seria fácil aprender

Todos teriam o mesmo reflexo

Saberíamos o momento de parar

E a vitória seria a conquista sobre nós mesmos

 

Apertos de mãos seriam mais que gestos

Pelos olhos reconheceríamos pessoas

Assim ninquém iria se magoar

E talvez não houvessem lágrimas

 

Compreenderíamos o íntimo de cada um

Saberíamos sorrir sorrisos sinceros

Em momento algum seria preciso sangrar

E jamais viríamos a temer a noite

 

As crianças brincariam até tarde

Muros não separariam quintais

A saliva só ficaria em nossa boca

E pelos cantos não correriam ratos

 

Jamais teríamos dúvidas 

Veríamos nossos filhos crescer

Teríamos milhões de amigos

E estaríamos sempre juntos

 

Não seria preciso saber a verdade

E no final nem tudo seria mentira

Pois talvez não chegasse a lembrar

Que, por acaso, meu nome não era Zeus.


 

  Cidade Em Chamas

 

Meninas, por que escondem seus rostos?

Há algo que não devemos saber?

Apenas sei que elas vendem bem mais

Do que aqui gostariam de vender

 

Há lugares onde homens se  aproximam

Eles também não queriam, mas precisam

E aqui eles sabem que tanto ferem

Quanto são eles que saem feridos

 

Por todos os cantos se arrastam ratos

E eles falam, mas sequer são ouvidos

Falam de sujeira, dor, solidão

Da vida que é vivida sem sentido

 

Por que crédulos deixam-se enganar?

Não há algo concreto a se construir?

Ou é melhor acreditar em mentiras

Do que não ter que acreditar em nada

 

Deturparam as virtudes de meu filho

Queriam mais um e o fizeram morrer

Agora não sei quem são estas crianças

O que aconteceu com nossas crianças?

 

Hoje cada um trará no olhar uma lágrima

Por nunca haverem mostrado o que vi

É mais dor do que todos nós sentimos

É mais dor do que virei a sentir

 

Há tanta maldade por trás de máscaras

Há tantas máscaras por tanta parte

E enter tantas os que brilham se perdem

E perdem mais aqueles que se escondem

 

Há outros que de coragem admiro

Pois conseguem sorrir fácil demais

É preciso coragem quando o fazem

Coragem para mentir como mentem

 

Nós não precisamos mais de ninguém

Já estamos bem e somos felizes

E no final nos convencemos disso

Para não aceitarmos a verdade

 

Esta foi a história que nos contaram

Por prezarmos o que não tem valor

Nossa vida é o que há de mais precioso

Mas poderia ser de outra maneira

 

Esta é a cidade que construímos

Conheço sua verdadeira face

Foi aqui que nosso sonho começou

E é aqui que iremos terminar. 


 

  Criaturas da Noite

 

Quando o silêncio das ruas vazias ecoar na noite

E as luzes de mercúrio adentrarem onde o sol se omite

Entre os becos mal iluminados da cidade

É possível enxergar ratos, entre outras formas humanas.

 

Já estive entre eles e jurei não mais voltar

Mas não pude negar minha natureza

Findo o que me prendia ao mundo sórdido dos hipócritas

Eu retornei aonde a dor é constante, mas o sentimento sincero

 

Estive entre os que não fazem parte do jogo, mas queriam

E jogam tão sujo quanto os grandes jogam

Eu estive entre eles e partilhei o mesmo dinheiro

Que guardei em meus bolsos, embebido em sangue.

 

Eu as vi venderem seu corpo

Eu as vi perderem sua alma

E eu mesmo as possui sem o ouro que as corrompe

Por ter me compadecido e compartilhado uma dor.

 

Sentei-me a mesa com eles e os vi se embriagarem

Riam de suas desgraças e choravam ao contar suas vidas

Disseram que se perderam de casa

E disseram que queriam voltar.

 

Deitei-me entre os homens sujos das calçadas

E juntos sentimos frio sem nos julgar amigos

Por termos perdido a humanidade entre as faces horrorizadas 

Alheias a fome que atormenta nosso ventre, a nossa solidão.

 

Ladrões, prostitutas, bêbados e vagabundos

Nós somos os amaldiçoados que vivem a noite

Porque enquanto os homens comuns dormem seus sonhos

Nossos pesadelos nos mantém acordados.


 

  Exaustão

 

Estou cansado de toda esta vida sem sentido

Cansei de nos orgulharmos do que não temos

Cansei de toda esta maldade sem explicação

Das inúmeras dúvidas que implicam nosso existir

 

Cansei dos maiores ordenando que nos calemos

Cansei de ser compreensivo e aceitar

Cansei de ver os humildes serem humilhados

De precisar fugir e ter que me entregar

 

Estou cansado de valermos tão pouco

Dos baixos preços que pagam por nós

De acreditar apesar de todas as mentiras

Cansei de pais e mães, de casas sem quintais

 

Estou cansado de grandes e pequenos

Estou cansado de muros e portões

Estou cansado de regras e leis

Cansei de lágrimas e sonhos

 

Cansei de todo este caos e desordem

Do horror pessoal que os dias nos impõem

Nossa natureza vil e destrutiva me cansou

E cansado demais, cansei de mim mesmo. 


 

  O Sangue das Ruas

 

Quando um grito de dor soar nas ruas

E apesar de ouvido não ecoar em seu peito

Parte de você escapa com ele

E a alma de seus filhos se molha nesse sangue

 

Nós fazemos parte disso

Quando lá fora um corpo tomba.

É um dos nossos que cai

É um dos nossos que o derruba

 

As mãos que ferem são as mesmas feridas

Calejadas a mercê de quem se escandaliza

Alheio a cura da busca da ferida,

Ao alívio da corrente que escraviza

 

Mãos sujas macularam o outorga puro

Com o poder de destruir destrui

E nos prova que somos indignos 

De tudo que nos foi concedido

 

Soubemos quando alguém viu morto aos seus pés

Um seu companheiro e de joelhos chorou

Vendo nas mãos sangue e o sangue era dele

Assim fora Caim, assim somos nós


 

    Todos os Dias, de Todos os Anos, de Toda Uma  Vida

 

Não mais que um jogo, 

Assim resumo nossa realidade

Provinda de nossa medíocre sociedade.

 

Luta-se para vencer

E os vencedores são recompensados:

Com a alegria da vitória 

Do trabalho bem feito

O auge da glória.

 

Os perdedores também ganham,

A humilhação da derrota 

A decepção do fracasso 

A frustração pelo erro.

 

E sempre será assim:

A mediocridade dos que conseguem subir 

Que olhando para baixo riem

Dos infelizes que se arrastam aos seus pés

Num eterno antro de angústia profundo. 


 

  Juras Quebradas

 

Hoje os dias são iguais

Mas eles nos forçam ao passado

Quando um juramento foi quebrado 

E sonhos ficaram para trás

 

Começamos do nada é começar sozinho

A mão estendida diz que algo foi perdido

São belas palavras que foram ditas 

Palavras que foram perdidas

 

Pelo que entoaremos nossos hinos 

Se nossas histórias ecoam no passado

É isso que contaremos a nossos filhos

Contos que descrevem um fracasso.

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Hoje os dias se mostram iguais

E lembranças nos forçam ao passado

Quando um juramento foi quebrado

Quando sonhos ficaram para trás

 

Começar do nada e tentar sozinho

Mão estendida por algo esquecido

São belas palavras que foram ditas

São belas palavras que foram perdidas

 

Por quem entoaremos nossos hinos

Se nossas lendas ecoam no passado

É isso que contaremos a nossos filhos

Histórias que descrevem um fracasso.


 

  O Joio e o Trigo

 

Tu não te encontravas em meu caminho

E eu não procuravas

Mas tu quiseste mirar bem teus olhos

No fundo dos meus

Quiseste me domar em tal momento

Sem haver pedido

Tornou-me escravo do teu querer

 

Não sei se após saciada ou por desgosto

Abandonou-me

Agora vagueio entre outros caminhos

A te procurar

Desorientado, eu mesmo me perdi

Solitariamente

E a muito tempo não sei o que faço

 

Compreendi tardiamente que eras só

Mais uma entre as outras

E encontrei novamente meu caminho

Estava vazio

Pude trilhá-lo, escolhi meu destino

Foi quando cresci

E a frente tudo me pertenceria

 

Mas tu voltaste a invadir meus domínios

Não daquele jeito

Desejo e ambição trouxeram-te a mim

Estavas impura

Viu algo digno de se conservar

E se perdeu, pois

Dessa vez, o meu olhar foi mais forte.


 

  Águas Cativas

 

Bela sereia que o mar tem em braços

Vestes não são capazes de cobrir

Quem nos ensina a dominar o medo 

E, em tempestade, nos convida a enfrentá-lo

 

Suas ordens são uma provação

Mas nos atamos ao desafio

Com dúvida, nos lançamos ao mar

Sem saber onde podemos chegar

 

Logo que meu olhar se torna turvo

Eu sinto o mesmo que todos ali:

Gelo se formando no espelho d`agua

Músculos se contraindo em dor, vejo o medo

 

Compreendemos que não somos fortes

Eu sou, tenho que provar, preciso

Mas vejo um a um os fracos se entregando

Abandonando a água sobrepujados

 

Penso em render-me e ir com eles; não posso

Sou guerreiro e lutar é minha vida

Vale a  pena viver para perder?

Seus olhos me dizem não e acredito

 

Cada braçada fez cada segundo

Segundos são horas e faltam muitas

Solitário, em meio ao oceano obscuro

Exausto e tomado pela dor, cesso.

 

Por que o grito arrogante me incentiva?

Continuo, não por mim, mas por ela

Corpo frágil e doentio resiste

Em cada braçada menos segundos

 

Além do limite encontrou-se a fé

Eu sou o único bravo que restou

Para reclamar as glórias da vitória

E se hoje algo nos separa é o medo

 

Líquido e suave faz parte de mim 

Falta pouco, apenas fecho os olhos

Para deixar as ondas me levarem

Consegui, sorrio, o forte venceu

 

Ergo-me vitorioso e até as águas

Em respeito, reconhecem meu triunfo

Próximo dela espero aprovação

Mas ela se virá e faz-se silêncio

 

Indiferentes, seus olhos me ignoram

Deixando-me cair naquele vazio

Sinto-me pequeno, de novo fraco,

Gosto amargo que a vitória concede

 

Tudo acabou e volto a ser o que era

Eu só queria que dissesse algo

Qualquer coisa, mas ela não diz nada

( Por que não diz nada? Por que não sorri? ).


 

    Gostaria de Pedir Desculpas

 

Gostaria de pedir desculpas a quem magoei

Peço perdão aos meus pais, pois sei que os decepcionei

Desculpem-me, amigos, se suas amizades perdi

Desculpas, para quem frustei ao acreditar em mim

 

Peço perdão aos fracos se não deixei que sonhassem

Desculpem-me aqueles que permiti que se enganassem

Perdoe-me quem me amou se não soube retribuir

Lamento pelas vezes que não consegui sorrir

 

Peço perdão a todos que ajudei a derrubar

Perdão, meus inimigos se consegui me vingar

 Desculpem-me pelas vezes que não soube o que fazer

Perdoem-me por fracassar ao precisar vencer

 

Mas peço desculpas também se tentei melhorar

Se ficou difícil e não vi mãos a me ajudar

Perdão se me lembrei e não te deixei lamentar

Desculpem se olhei de longe para não incomodar

 

Peço perdão se me escondi para poder chorar 

Ao sofrer pelo que sentia e ninguém se importar

Pelas vezes que fiquei sozinho e evitei lutar

Peço que me perdoem, pois não consegui me perdoar. 


 

 Gostaria de Dizer Obrigado

 

Gostaria de agradecer todos os sorrisos irônicos

De quem disse que o meu melhor nunca foi bom demais

De quem sempre duvidou e me julgou ser incapaz

Agradeço por me obrigarem a ser melhor, a fazer mais

 

Obrigado a quem mentiu, quem me fez acreditar, quem me traiu

A quem se serviu de meios ilícitos para me sobrepujar

Nutro gratidão por terem feito aquele ingênuo morrer,

Por terem lhe ensinado outras formas de vencer

 

Gostaria de dizer obrigado aos homens que impõem a justiça

Por fazerem questão de desconhecer a verdade

Por não saberem o quanto ferem, por se vingarem

Por me tornarem forte ao resistir aos castigos, a crueldade

 

Estou grato a estes que disseram que eu não era um deles

A quem se afastou, a quem não quis meu amor

E a todo e qualquer erro que provou que eu não lhes servia

Me fiz por mim mesmo, fortaleza que a solidão não afligia

 

O passado ensinou em algo da dor que ficou

Por isso agradeço a quem a causou, a quem me magoou

E a todo mal caráter que qualquer lágrima tenha derrubado

Sei que algo aprendi e lhes digo obrigado.

 

  Adeus a Companheiros

 

__Já estamos com saudades, amigos!

Foi o que disseram por amizade

Sentindo companheiros que partiram

 

Eles choravam suas primeiras lágrimas

Mas distante de tantas que já chorei

Por todo sofrimento já sentido

 

Estava entre homens que sentiam

E tive em meu peito a vergonha

Vendo em mim tamanha indiferença

 

Entendi sentimento nestes homens

Deles brotavam palavras sinceras

Dizendo-me não fazer parte disso

 

Mesmo entre eles não era um deles

Pois soube que a dor fizera-me frio

E eu chorei, não por eles, mas por mim.


 

    Quando as Pessoas Choram

 

Estava tudo escuro e me senti perdido

Sentei-me e protegi um simples gato

O menino irá brincar sozinho?

Mas ele quer um amigo.

 

O vento levou as pessoas

Não queria ter acordado

O dia raiou, por instante chorei

Me vi velho e ainda sentado

 

O gato fugiu

O menino está brincando sozinho

Queria ter as respostas

Mas está frio, muito  frio

 

Queria que fosse tão fácil

Se eles soubessem, mas eles não sabem

Se eles sentissem, mas eles não sentem

Se eles quisessem, mas eles não querem.


 

    Homens Vazios

 

Necromânticos estão criando súditos

Povoando com cadáveres cidades

Todos esquecemos que somos únicos

Destruímos nossas mais belas partes

 

Longínquos desertos, cantos obscuros

Existem pessoas por trás de muros

Sob o olhar sempre atento e tenebroso 

De criaturas malignas, de monstros

 

Homens, elas são largadas por lá!

Pois os grandes juizes não amam

E os homens comuns não sabem julgar

 

Sabeis que homens são mais que imagens

São a junção de sonho e sentimentos,

Corpo e espírito, de dores e medos.


 

  Os Poetas Estão Mortos

 

Os poetas se foram

Só ficaram entre nós 

Aqueles que não sabem sorrir

Os que não sabem cantar

 

Crianças brincando, é tão lindo

Deixei-as em paz

Não é hora de saberem a verdade

Deixei-as brincar

 

E assim virá o dia

 Em que elas serão grandes

Senhores de sua vontade

E a liberdade regerá suas ações

 

Possuíram a força dos que lutam

Daqueles que não se submetem

Terão as punições como obstáculos

De uma sociedade que nos quer fracos

 

Mas se a nova geração perseverar

Apesar de tudo os bons chegarão ao topo

E os pássaros poderão cantar ( novamente ).


 

  O Caminho  Que Seguimos

 

Quem são esses que caminham e o que eles dizem?

Alguém falou que não diziam nada, alguém que não quis escutar

Talvez não saibam o que dizem, mas é melhor do que estar calado

E eu sei que muitos se calam para ouvir o que falam

 

A cidade é grande, mas nada aqui é indiferente

Há nossa volta há ódio, amor, admiração e repulsa

Porque nada pode ser indiferente frete a algo tão forte

E nada é suficientemente grande que não nutra respeito

 

Veja, eles não ousam esta estrada, mas nós a estamos seguindo

Talvez haja muitos obstáculos, mas nós os enfrentamos 

Até conseguimos vencê-los e é aí que crescemos

Deixando para trás muros que não conseguirias atravessar

 

A muita coisa que em nosso peito arde 

Mas ele poderia estar vazio 

Como vejo pessoas que caminham e que não me dizem nada 

Por que não tem nada a dizer

 

Vamos viver histórias porque um dia será preciso contá-las

Diga que é a estrada errada ou que não leva a lugar algum

Mas enquanto os outros avaliam, nós vamos vivendo

Talvez seja o caminho errado, mas é melhor do que viver a sua vida

 

Veja, eles não ousam esta estrada, mas nós a estamos seguindo

O que é preciso para seguir este caminho?

Não podemos parar agora, mas estamos deixando um rastro

E se você acreditar, poderá vir conosco.



 

  Domingo 

 

Não mais que um Domingo de sol

Contigo em meus braços seria o nosso sonho

E duraria para sempre e seria só nós dois

E talvez você me fizesse perguntas

Sobre o que em nós não entende, mas percebe

 

E eu responderia as suas perguntas

Se você quisesse ouvir a verdade

Mas assim você nunca seria feliz

Pois, em seu peito, sentiria a mesma dor que sinto

É a dor de todos que a poucos atormenta

 

E do que adianta fazer daqui um sonho

Se lá fora uma criança brinca sozinha

É alguém que nunca saberá o que é a vida

E pode ser nosso filho trancado naquele quintal

Se nós quisermos que ele faça parte desse sonho

 

Saiba que só há verdade aqui dentro

E tudo a nossa volta é mentira

Porque a riqueza só camufla 

E o poder não preenche o enorme vazio

Que em seu lugar fica quando parte


 

Posses não é ter vencido, não é seu filho

Pois esta é a vitória dos que lá fora fazem chorar

São as lágrimas dos que não conseguem vencer

E nossas lágrimas devem ser por eles

Como nosso suor, como nossa luta

 

É preciso construir para fugir de si mesmo

Servir ao mundo e aos homens

E lutar pelo que acredita certo

Esta é a luta que os grandes lutam

É a luta que os anjos abençoam.


 

  Fortaleza

 

Relembre que homens são mais que imagens

E saiba do sonho o sentimento

Que isso hoje prepondere

Que isso sempre permaneça

 

Reviva a dor da chaga que ardia

No peito infeliz do tolo canceroso

Alheio a ventura daquele que sentia,

De tudo quanto é belo ao homem virtuoso

 

Não são suas palavras que o fazem um poeta

Não é a beleza que a torna preciosa

Não é a riqueza que nos fascina

Mas tudo que reflete um olhar apaixonado em fantasia


 

 Empatia 

 

Lágrimas molhando um rosto amigo

Ferem como se fossem suas

Talvez mais

 

Não me pergunte sobre o amor

Conte-me sobre aqueles que amam

E sobre quem não queria Ter partido

 

O que de nós é humano?

Falo do que se sente em empatia

Lembro meu amigo, lembro de quem brilha

 

Tudo toque e retorne ao coração

Faça teu o meu lamento, amigo

E eu te chamarei de irmão.


 

  Máscaras 

 

Vamos deixar as máscaras de lado

Talvez hoje não enganem ninguém

Vamos mostrar o que temos de bom

Mostremos o que temos de melhor

 

O essencial está dentro de você

Mostre-o sobre um semblante sereno

A mentira encanta, mas não é real

Limpe toda esta poeira que te cobre

 

Saiba valorizar pequenas coisas

São elas que firmam uma amizade

Que tornam uma pessoa importante

Elas que fazem de nós o que somos

 

Veja um olhar tenro, mãos carinhosas

Braços amigos, sorrisos sinceros

E agora decida o que vale a pena

Eu sei a resposta e você também sabe,.


 

  Serenos Sorrisos

 

Gosto daqueles que sabem sorrir

Mas tenho nojo de vocês, hipócritas

Que tornam difícil olhar ao lado

 

Que me magoou deixei que partisse

E já se foi tarde, para bem longe

Talvez algum dia junte-se aos seus

 

Jamais deseje sujar suas mãos

Não queira derramar lágrimas puras

Pois o corpo caído pode ser seu

 

Algo importante há de ser consistente

Todo amor deve vir do coração

O seu olhar precisa ser sincero

 

Fico feliz se souberes o certo

O bem que fizer será a ti mesmo

E haverá sempre mais mãos, mais sorrisos.


 

  Felicidade 

 

Resuma o ideal de um homem, ser feliz

Buscá-lo é o que dá sentido a vida

Seja qual for o meio de alcançá-lo

Através do amor, vitória ou vingança

 

Todos procuram a felicidade

É o objetivo, o sorrir sem motivo

Quando as coisas estão boas demais 

E assim deveria ser para sempre

 

Deveria, mas não, pois tudo acaba

Porque a vida acaba e quando ela acaba 

Nos reta apenas chorar nossas perdas

A morte, única constante na vida

 

Tentamos adiá-la para vivermos, 

Vivermos intensamente cada dia

Para ao fim, quando o momento chegar 

Possamos dizer que valeu a pena.


 

    Templos e Ruínas

 

Algo puro, vento , fogo, sorriso

Criança, belo, puro, divino

Insensato, vazio, triste, pobre

Solitário, magoado, chorando, morre.

 

Repousa em sangue, medo, dor, agonia

Resta revolta, ira, vingança, mentira

Compreende vazio, frustado, o erro

Remorso. piedade, vergonha, desprezo.

 

Clemência, pondera, piedade, perdão

Apascenta, carinho, amor, paixão

Compensa, luta, empenho, vitória

Aprova, lágrima, abraço, glória.

 

Ressurge sagrado, forte, altivo

Honrado, másculo, supremo, digno

Mantém, constrói, vive, aprende

Sábio, livre, firme e sempre.


 

  Ruídos

 

A luz se foi e as trevas ressurgem

Ruídos anunciam a sua chegada

Comuns ruídos provindos do nada

Convocam as águas piedosas que a noite convém

 

A lua torna-se absoluta no céu

A terra é coberta pelo cristalino véu

Um gélido silêncio domina o ambiente

E só se acabará quando o sol tornar-se nascente

 

Mas não pois feliz canta o pequeno animal

Seu ruído de resistência é o último sinal 

Da vida que teima em não se calar

Brava resiste e quem cede é o luar

 

Confesso que em algumas noites duvido

Mas os raios de sol começam a despontar

A alvorada anuncia: O dia será lindo!

E a vida me prova que jamais devo duvidar.


 

    Tempos de Glória

 

Ao som da marcha de um cortejo fúnebre

 O poeta relembra seus dias de glória

Quando era aclamado por sua gente 

E seu domínio reconhecido

 

O poeta, guiado pelo sonho,

Abandonou os seus

Lágrimas e pedidos de permanência 

Iluminaram sua partida

Sentia-se amado por seu povo, 

Mas, ao voltar, na certeza do dever cumprido

Decepcionou-se. Contemplou a rosa 

Que agora mucha, por não ser regada, morre

 

Sua geração se foi e a nova não o reconhecia

Anônimo caminha pelas ruas

Sem ser notado, abandonado

Apenas mais um em meio a multidão

 

Hoje ele sofre e indiferente o tempo o fere

Vive a errar, sofria pois,

O pior castigo dado ao poeta

É ser esquecido.


 

  Rostos do Passado

 

Conheço muita gente, Tantos anos!

Estiveram comigo tanto tempo

Tantos nomes que foram importantes,

Pessoas que ficaram para trás

 

Rostos de companheiros se perderam

São rostos que preencheram minha vida

Rostos que desbotaram até se apagarem

E que agora não significam nada

 

Me disseram que nunca esqueceria

Verdadeiros amigos, é verdade

Mas sei que outros também foram grandes

 

Não devia ser assim, desse jeito

Talvez tenham se esquecido, de mim

É muito querer que estejam comigo?


 

    Quando Éramos Muito Jovens

 

Quando éramos jovens

Estávamos sempre contentes

Nosso sorriso alegrava os mais tristes corações

Acaso chorávamos era sinal de vida 

E a vida se estampava em nosso rosto.

 

Quando éramos jovens

Tínhamos amigos, amigos sinceros

Não haviam mentiras, nem dúvidas

E no fundo dos nossos olhos

Todos podiam ver nossos sonhos.

 

Quando éramos jovens

Tínhamos um lar, uma família

Gente que se alegrava em nos alegrar 

Pessoas que nos amavam

E não deixava o mundo lá fora nos machucar.


 

Mas já passou, tudo passa

Nos crescemos, sem devermos ser grandes

Pena que éramos jovens demais

Para nos lembrarmos de quando 

Éramos muito jovens.


 

  Carta, Por Um Suicida

 

A morte para os que vão

É só o ponto final

Colocado no poema

Um poema que possui

A obrigação de ser belo

 

Então ... por que estou chorando?

Não sei ao certo, talvez porque

Saiba que não fui capaz 

De terminar o poema.

Hoje aceito que perdi.


 

  As Correntes da Janela

 

Sei que aqui as correntes vão mais longe

Mas a janela nos concede liberdade e nos leva distante

É como ver o mar e não poder tocá-lo

É ter sua vida, mas, de fato, não a possuir

 

A janela me mostra muitas coisas

Pois em seus horizontes os sentidos são pequenos

Ela mostra tudo o que queremos ver

Talvez mais do que deveríamos saber

 

E mesmo por ela nada se oculta 

Que ao coração do homem não seja estranho

Somente a janela conhece o sonho

Pois os olhos revelam o que o no peito se esconde

 

A janela me conta muitas coisas

Talvez nem todas sejam verdades

Ela é indiferente aos bons e aos maus

Aos que choram e aos que fazem chorar


 

  Medo

 

Olhos se perderam na escuridão

E demais lembranças foram deixadas no passado

Porque alguém preferiu acreditar no medo

Do que ter que acreditar no sonho

São palavras que foram ditas em vão

Palavras que se deixaram perder

 

Eu não pude duvidar da dor

Por ela ser constante

Eu não pude entender a verdade

Por ele estar ausente

Mas apesar de tudo eu quis acreditar

Mas apesar de tudo eu ousei tentar

 

Seria teu medo de tentar

Maior que o meu medo de sofrer

Para que me impeça de sonhar meu sonho?

Para que te impeça de viver sua vida?

Saiba que  eu olharia para onde você quisesse

Eu olharia ara trás

 

E se você se dizer machucada

Eu lhe abro o meu coração

Se você me falar em dor

Eu lhe conto o meu passado

E se ainda insistir, medo,

Eu lhe mostrarei meus sonhos.


 

  Alheio

 

Se aquilo que tanto te afasta 

É o que em mim julgas medo, te digo

Que o desconheço, posta que a dor

De cedo apresentou-me sua face

 

Cobras de mim palavras que não tive

Só poderia contar-te sobre mágoa

Já que a trago comigo desde a infância

Como fiel e atenta companheira

 

Como queres que aceite tuas mãos

Se tantas mãos outorga me feriram

Impondo a máscara que hoje ostento

E a pedra que pesa em meu peito

 

Como tu pedes a mim um sorriso

Se qualquer gesto de afeto desconheço

Pois tudo quanto é suspeito a quem ama

Estranha a quem não sabe ser amado

 

Como entenderia amor em seus olhos 

Se em outros olhos só enxerguei vingança

E aquilo que te assusta nos meus 

É o ódio que repasso no que vejo

 

Como esperas de mim teus sentimentos

Se neles conheci minha ruína

Tentei ser bom, mas não bastava pois

Entre os maus, mesmo o justo é castigado

 

Saiba que há mais que dor em meus olhos

Há mais que mágoa em meu coração

E outras coisas que jamais saberá

Pois eu jamais permitirei que sinta.


 

  Vertigens

 

Ainda crescia e me encontrar tentava

Mas em meu mundo tudo se perdia

E as coisa que queria para mim 

Onde foram parar? Como encontrá-las?

 

As doenças matava os grandes e os maiores

Eu via os bons caindo um a um derrotados

Poderosos ampliando seu poder

Maus concretizando suas vinganças

 

Parece que os anjos foram embora

Resta um vazio que fere, que mata

E destrói tudo que temos, que somos

Conduz ao inferno, nos mostra o demônio

 

E novamente me sinto sozinho

Mais do que nunca me sinto perdido

Não é este o caminho certo, mas...

Aqui as estrelas brilham mais fortes.


 

 Carta a um Suicida

 

Cesse teu pranto, tome tua espada

Crave-a em teu peito neste momento

Faça-a teu castigo: abra uma chaga

De teu suplicio faça livramento

 

Redime-te de todo teu tormento

Eis a razão que te serve o punhal

A redenção de todo o sofrimento

Mais que a arma de beleza mortal

 

No flanco, enterre a faca concedida

E entenda assim o fim de teu lamento

Apascentando então tua alma aflita

 

Saiba a adaga uma amiga querida

Em verdade o inimigo é o tempo

E o tratante que te pune é a vida.


 

  Carta, Por Um Suicida 

I

Lâminas e rosas

E são rosas vermelhas

E não valem nada

 

Digo apenas lágrimas

Hoje é somente sangue 

Mas aqui é tudo o que fica

 

Aqui é tudo que deixo

E deixo mais, deixo a mim mesmo

Deixo o que não quero

 

Lâminas e rosas, são rosas vermelhas...

Se hoje as ofereço é tudo que tenho

Chego ao fim e aceito que perdi.


 

  Castelos e Construções 

 

Que fim levou aqueles homens?

Queríamos seguir este caminho juntos

Então por que eles partiram?

E por que não voltaram?

 

Vamos reaver nossos sonhos

Que em meio a frustrações foram deixados para trás

É o que precisamos para reerguer um castelo

Ao deixarmos no passado a lembrança de tudo que perdemos

 

Vamos acreditar que nada daquilo morreu

E assim retornaremos ao fim

Pois foi de lá que começamos

E é de lá que tentaremos de novo.

 

JURAS QUEBRADAS

Hoje os dias são iguais
Mas eles nos forçam ao passado
Quando um juramento foi quebrado
E sonhos ficaram para trás

Começar do nada é começar sozinho
A mão estendida diz que algo foi perdido
São belas palavras que foram ditas
Palavras que foram perdidas

Pelo que entoaremos nossos hinos
Se nossas histórias ecoam no passado
É isso que contaremos a nossos filhos
Contos que descrevem um fracasso.





AS CORRENTES DA JANELA

Sei que aqui as correntes vão mais longe
Mas a janela nos concede liberdade e nos leva distante
É como ver o mar e não poder tocá-lo
É ter sua vida, mas, de fato, não a possuir

A janela me mostra muitas coisas
Pois em seus horizontes os sentidos são pequenos
Ela mostra tudo o que queremos ver
Talvez mais do que deveríamos saber

E mesmo por ela nada se oculta
Que ao coração do homem não seja estranho
Somente a janela conhece o sonho
Pois aos olhos revela o que o no peito se esconde

A janela me conta muitas coisas
Talvez nem todas sejam verdades
Ela é indiferente aos bons e aos maus
Aos que choram e aos que fazem chorar

 

© 2013 Igor Anatoli                                   Created at Razzoit Studios - Berlin, Germany.     

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